sábado, 22 de março de 2008

Alegações Nutricionais e de Saúde

A alteração dos hábitos de consumo alimentar nas sociedades modernas foi acompanhada por uma crescente procura por formas de alimentação mais rápidas e práticas. Surgem produtos com novas propriedades nutricionais e também novas formas de estes seram comunicados.

São comuns as menções como "baixo valor energético", "sem gordura saturada", "sem açúcares", "alto teor de fibra", "fonte de vitamina A". Estes são exemplos de declarações que sugerem que um alimento possui propriedades benéficas relativas à energia (fornece muita ou pouca) e/ou aos nutrientes (contém ou não), ou seja, são alegações nutricionais.


"Um regime com baixo teor de gorduras saturadas baixa o nível de colesterol no sangue", "o consumo de ácidos gordos ómega 3 mantém um bom nível cardiovascular", " o consumo de fruta e verdura fresca reduz o risco de cancro" ou "o cálcio fortifica os ossos" constituem exemplos de declarações que impliquem uma relação entre o alimento ou um dos seus constituintes e a saúde. São alegações de saúde.




O Regulamento (CE) nº 1924/06 do Parlamento Europeu e do Conselho, de 20 de Dezembro veio impôr restrições aos alimentos que ostentam alegações, devendo estes ter um perfil nutricional adequado.

As alegações nutricionais não devem:
  • ser falsas, ambíguas ou enganosas;
  • suscitar dúvidas acerca de outros alimentos;
  • incentivar o consumo excessivo de qualquer alimento;
  • sugerir que um regime alimentar variado é susceptível de não fornecer as quantidades adequadas de nutrientes;
  • explorar receios de consumidores através de referências a alterações das funções orgânicas;
  • comparar a composição do alimento em causa com alimentos de outra categoria.
São proibidas as alegações de saúde que:
  • sugiram que a saúde possa ser afectada pelo facto de não se consumir o alimento em causa;
  • façam referência a um determinado ritmo de perda de peso;
  • façam referência a recomendações individuais de médicos ou outros profissionais de saúde.
Espera-se que a introdução desta nova legislação permita uma comunicação mais eficaz e verdadeira das propriedades dos alimentos e dos seus potenciais efeitos. Actualmente, são muitos os anúncios publicitários de produtos alimentares com alegações que não respeitam estes parâmetros, o que só contribui para uma deseducação e mal informação da sociedade no que diz respeito a consumo alimentar adequado.

Fontes: Artigo "Alimentos com Alegações Nutricionais e de Saúde" da Revista "Segurança e Qualidade Alimentar", nº 3, Novembro 2007 e palestra "Legislação da Rotulagem Nutricional e das Alegações de Saúde" de Mª Cândida Marramaque no Congresso "Novos Rumos, Novos Desafios na Vanguarda da Nutrição" da XVIII Semana de Ciências da Nutrição.

O chocolate na Páscoa

Páscoa...época de cariz religioso e festejada em todo o Mundo por milhões de pessoas. Com o tempo, muitas das tradições associadas à Páscoa foram sendo adulteradas e abolidas e mais uma vez, o consumismo da sociedade actual deu origem à introdução de outros hábitos nem sempre saudáveis em termos alimentares.

É o caso das amêndoas e ovos de chocolate, presença obrigatória nesta época festiva. A maioria dos chocolates consumidos, no entanto, são ricos em gordura e açúcar com efeitos nefastos para a saúde, aumentando o risco de obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares.

No entanto, estudos recentes têm evidenciado outras propriedades desta iguaria, nomeadamente a sua capacidade de prevenir doenças cardiovasculares. É o caso do chocolate preto, que contém flavonóides que actuam nas células endoteliais das veias e artérias.

No último estudo desenvolvido por pesquisadores do centro de prevenção da Universidade de Yale, nos EUA, 45 indivíduos com excesso de peso (IMC entre 25 e 35 kg/m²), foram divididos em três grupos:

1) consumiram 226 gramas de cacau sem açúcar por 6 semanas;
2) consumiram 226 gramas de cacau com açúcar por 6 semanas;
3) consumo de um placebo por 6 semanas.

Através do exame de ultra-som os pesquisadores mediram a capacidade de relaxamento e distensão das artérias. No grupo 1, esta capacidade melhorou em 2,4%. No grupo 2 em 1,5% e no grupo 3 piorou em 0,8%.


O resultado não sugere que devemos aumentar o consumo de chocolate, porém sugere que o chocolate preto, no seu estado puro (sem leite e sem açúcar) é uma alternativa a considerar, principalmente quando o consumo de chocolate se torna inevitável, como na Páscoa.

Estes flavonóides estão também presentes em frutas, legumes e alguns tipos de chás sem o fornecimento do açúcar e da gordura saturada do chocolate. São por isso a melhor opção.

Boa Páscoa!

segunda-feira, 17 de março de 2008

Opinião Pública - Alimentação saudável?

Um tema controverso e actual, que tem suscitado um interesse crescente por parte da população a nível mundial.

No “opinião pública” desta semana "considera a sua alimentação saudável?", num total de 24 votantes, 45% considerou a sua alimentação como “assim assim” saudável. O “não” alcançou os 25% dos votos. 16% consideraram a sua alimentação saudável, enquanto que 12% não conseguiram efectuar uma avaliação.

Mas será fácil definir “uma” alimentação saudável? São muitos os factores a considerar quando se avalia a alimentação. Factores sociais, culturais, económicos, estilo de vida, acesso a recursos alimentares adequados, falta de informação condicionam de forma preponderante a forma como nos alimentamos e como percepcionamos a nossa alimentação.

Um relatório recente da OMS (Organização Mundial de Saúde), o CINDI dietary guide, referiu 12 aspectos a ter em consideração para que se possa alcançar uma alimentação saudável:

1. Ter uma dieta o mais variada possível, baseada na roda dos alimentos, com maior abundância de alimentos de origem vegetal, em vez de alimentos de origem animal e a água a desempenhar um papel central. A variedade é essencial porque 1 só alimento não fornece a totalidade de nutrientes, vitaminas e sais minerais que o organismo necessita.


2. Ingerir pão, massas, arroz e batatas várias vezes por dia. São estes os alimentos que deveriam servir de base à nossa dieta. Para além de importantes fontes de energia, têm uma baixa composição em gorduras e contribuem para a ingestão de proteínas, fibras, sais minerais (potássio, cálcio e magnésio) e vitaminas (vitamina C e B6, ácido fólico e carotenóides).

3. Ingerir uma grande variedade de frutas e vegetais, preferencialmente frescas, várias vezes ao dia, pelo menos 400g por dia. Estes alimentos são pobres em gordura e energia, pelo que são essenciais na prevenção da obesidade.

4. Manter um peso corporal dentro dos limites recomendados. Isto é alcançado não só através da alimentação adequada, mas também com a prática diária de actividade física.

5. Controlar o consumo de gorduras (menos de 30% da energia diária dispendida). As gorduras saturadas devem ser substituídas por gorduras insaturadas, encontradas em óleos vegetais e margarinas.

6. Substituir o consumo de carne gorda (carne vermelha) por feijão, legumes, lentilhas, peixe ou carne magra (carne branca).

7. Ingerir leite e produtos derivados do leite como iogurtes ou queijo que são pobres em gorduras e sal. São a principal fonte de proteínas e cálcio.

8. Seleccionar alimentos com baixo teor em açúcar. Existem actualmente alguns alimentos com substitutos artificiais do açúcar. No entanto, alguns deles, como o sorbitol, são ricos em energia. Assim, alguns dos alimentos ditos pobres em açúcar poderão ser ricos em energia e gordura.

9. Optar por uma dieta pobre em sal. O consumo total de sal não deve exceder as 6g por dia, incluindo o sal do pão e dos alimentos processados, conservados e curados.

10. Quando há consumo de álcool, este não deve exceder 2 copos diários (cada um contendo apenas 10g de álcool).

11. Preparar a comida de forma segura e higiénica. Os alimentos devem ser bem lavados, principalmente se consumidos crus. As formas de confecção devem ser escolhidas de forma a diminuir o total de gordura, tais como os cozidos ou grelhados.

12. Promover uma alimentação adequado desde o nascimento. Uma alimentação infantil inadequada tem graves repercussões na vida adulta. O aleitamento materno até ao primeiro ano de vida é essencial, bem como a introdução de alimentos complementares adequados a partir dos 6 meses.

Cada um destes passos deve ser considerado, não isoladamente, mas sim no contexto de todos os restantes. Variedade e equilíbrio são as palavras-chave.

Para mais informações consultar o relatório da OMS em:

sábado, 15 de março de 2008

OMS prevê a primeira diminuição de esperança de vida em 200 anos


A crescente incidência de diabetes tipo 2 e obesidade em crianças e jovens poderá estar na origem de uma diminuição da esperança média de vida da população. Torna-se urgente desenvolver uma correcta política de educação e prevenção, que deve passar pelos próprios jovens e crianças, mas também pelos pais, escola, profissionais de saúde e sociedade em geral.

A notícia é alarmante:

30 por cento dos jovens têm diabetes tipo 2
OMS prevê a primeira diminuição de esperança de vida em 200 anos

Trinta por cento dos jovens em todo o mundo já sofre de diabetes tipo 2 e em algumas comunidades étnicas dos Estados Unidos a percentagem ronda os 50 por cento, segundo dados da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal, noticia a Lusa.

O director clínico da associação, José Manuel Boavida, revelou estes dados durante a apresentação da campanha publicitária «Maio Mês do Coração», que este ano destaca dois dos maiores factores das doenças cardíacas: a obesidade e a diabetes. O especialista referiu que um em cada três destes jovens está em risco e vai morrer antes dos 55 anos. A justificação para a actual situação é dada pelos «estilos de vida modernos».

«Pela primeira vez em 200 anos, a Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê uma diminuição da esperança de vida», alertou Boavida, admitindo a hipótese de os pediatras começarem, dentro em breve, a fazerem o rastreio de doenças coronárias.

Também a alta comissária para a saúde, Maria do Céu Machado, salientou tratar-se de um problema cultural de uma sociedade que transforma «uma batata cozida de 70 calorias num pacote de batatas fritas de 500 calorias».

Por seu lado, o presidente da Fundação Portuguesa Cardiologia, Manuel Carrageta, sublinhou que as doenças cardiovasculares e do aparelho circulatório vão ser a principal causa de morte em todo o mundo a partir de 2010/2012, altura em que estas patologias vão aumentar a sua prevalência na África sub-saariana.

Por ano, morrem actualmente 17 milhões de pessoas vítimas de doenças cardiovasculares e circulatórias. Em Portugal, entre os doentes com factores de risco, o tabagismo tem-se mantido nos mesmos níveis, observando-se uma melhoria nos valores do colesterol, com a obesidade a elevar-se de 25,3 para 32,8 por cento. Manuel Carrageta referiu que os últimos números reflectem uma perda média de seis anos de vida nos homens obesos e de sete anos nas mulheres.